Alborada - Minha novela da vez.

em 26 de fevereiro de 2020


Capa americana 


Cuando llega mi Alborada,
cuando voy a renacer,

ir desafiando al destino?

abre un mundo para mí...


Plácido Domingo vem cantando na abertura da novela e pelas cenas iniciais você já pode saber que a coisa vai ser boa!!

Fã de carteirinha das novelas mexicanas, hoje eu quero falar sobre a obra de María Zarattini, a novela de 2005, Alborada.
Capa mexicana
A história começa com o nosso herói e seu fiel escudeiro, Don Luis Manrique e Arellano e Felipe Avarado, respectivamente Fernando Colunga (sim, o Carlos Daniel Bracho) e Alejandro Tommasi, no povoado de Santa Rita, no Panamá. O ano é provavelmente 1807, logo em seguida dessa primeira cena que acontece nesse povoado, se passam três anos, então o resto da história se desenvolve em cerca de mais sete meses, o que nos faz terminar em 1810. Foi nesse ano, em 16 de setembro, que o padre Miguel Hidalgo deu o famoso “Grito de Dolores” (que é a coisa mais linda de ser reproduzida todos os anos) que é o grito de independência. A partir desse momento a Nova Espanha entrou numa briga danada para se separar da Espanha e se tornar o México. E a novela fala disso, Lizzy? Não. Só expliquei esse ponto porque no último capítulo um dos personagens diz que a luta pela independência se aproxima, e provavelmente ele fala isso porque o Hidalgo chamou o povo pra briga. Mas mantenha em mente um México colonial em meados de 1800.

Lucero como Maria Hipólita

Em Santa Rita vivia uma mulher que tinha mais de seis meses de casada, a Maria Hipólita. Seu marido, Don Antônio de Gusman tinha algum problema e não pode consumar o casamento. Dona Adelaida, sua mãe, aproveitou que um fugitivo da prisão entrou em suas terras e dado o parecido físico com o filho, o obrigou a se deitar com a nora, pois corriam o risco de perder a herança do cunhado, se Antônio não tivesse um filho. Estranho, né? 


É, e fica pior.
Arturo Peniche como Antônio
Esse fugitivo era o Don Luis, um rico comerciante mexicano de família nobre. 




A principio ele não topou a empreitada, mas depois de estar no quarto com a moça, não pode resistir a beleza de Hipólita, interpretada pela maravilhosa Lucero.
Ai o circo estava formado, ele voltou pra casa e três anos se passaram. Hipólita obviamente engravidou mas junto com a sua criada de confiança, Adalgisa, fugiu do marido frouxo e da sogra megera.

Daniela Romo como Dona Juana

Luis viva na cidade fictícia de Cuencas, no palácio Guevara. Seu tio era o Conde de Guevara que junto a sua esposa, morreu num acidente com fogos de artifício numa “chalana”, uma pequena embarcação, justo no dia do batizado do seu primo, o agora Conde, Diego. O pai de Luis também havia falecido e apenas sua mãe, Dona Juana, e a irmã de seu pai, a tia Isabel, eram sua família. Ele também era casado com Esperanza que havia abortado quatro vezes, então, não tinha descendência.

Quando jovens, ele e Diego se davam bem, mas então o primo se tornou outra pessoa. Era péssimo nos negócios, bebia o tempo todo e só fazia burrada, viúvo e com duas filhas pequenas, nunca olhava para as meninas, logo de situações suspeitas, Luis começou a desconfiar que Diego o queria morto. Claro, se não a novela não tem trama.

A única coisa que Hipólita sabia sobre o homem que lhe fez um filho, é que era do México, e disposta a encontrar a mãe que nunca conheceu, pois foi criada com a avó já que seu pai não casou com sua mãe, ela parte junto a Adalgisa e o pequeno Rafael numa viagem de barco até Veracruz. Nesses dias ela conhece o jovem Martin Alvarado, e como iam para a mesma cidade, fazem companhia um ao outro.
Quando ela chega na cidade, altas tretas acontecem. Don Luis a reconhece e passa a ajudar de varias formas.

Irán Castillo como Catalina
Ela encontra a mãe, dona Asunción e a irmã, Catalina. Quem ajuda muito também é o seminarista Cristóbal De Lara, o melhor amigo de Luis.
Único spoiler que eu vou dar é que tem alguém usurpando algo que não lhe pertence e logo nos primeiros capítulos você já descobre quem, o porquê é bem obvio e a forma como sucedeu é simples. O legal é a forma como os personagens se inteiram.

Em meio a uma tormenta de intrigas e violência provocada por Juana, Hipólita terá de lutar por seu filho e sua vida, enquanto seu coração se divide entre o ódio pelo desconhecido que a engravidou e o amor que agora sente por Luis, sem saber que eles são o mesmo homem. Aquela coisa básica, bem mexicana, né?


Ser noveleira te obriga a procurar coisas nas deep webs da vida. Eu gostei demais de todos os detalhes. A trama não deixa nenhum fio solto, tudo o que acontece tem uma razão e encaixa no final. Isso é muito bom quando a gente assiste uma história de uma vez só. No youtube tem a novela completa, mas não tem dublada ou legendada, só original em espanhol. Não é tão difícil entender, então vale a pena tentar. Os capítulos estão com uma qualidade razoável, mas nada que você não consiga assistir. Estão cortados em 3 partes e cada um dura cerca de 15 minutos.

Fernando Colunga lindo como sempre

O ponto alto da novela é o figurino. As roupas estão absurdamente bem feitas e historicamente corretas, tem um pouquinho de liberdade artística mas no geral está caprichadíssimo. Existem muitos núcleos e nenhum foi descuidado. Separei algumas imagens que falam por si só. O Conde de Guevara e os ricos moradores do palácio, os empregados também são um show, os guardas, os criados particulares, as cozinheiras, os garçons das festas, os animadores, até a cantora lírica que foi atração musical de uma das festas do palácio (interpretada pela cantora Alondra). Tudo impecável. No núcleo pobre da novela podemos ver a casa de Felipe Alvarado, sua esposa, a prostituta Perla, Marcos, os serviçais do Palácio De Lara, a família Escobar, os capangas do conde e os da chamada de “A Poderosa”, as pessoas simples que andavam pela rua, nos bairros, pousadas, estradas, etc, as roupas mostravam a singeleza de um povo de classe baixa trabalhadora.


Essa diferença é muito interessante de ser observada, tanto nas roupas como nas casas e móveis e objetos dos cenários.
Hipólita sofrendo nas mãos da Inquisição

Outra coisa que é totalmente incrível na novela é o fato de que a santa inquisição existia nesse período e era ativa na vida das pessoas. A história mostra isso de formas muito claras, como em situações que a mulher que traiu o marido, se fosse denunciada, seria punida, ali em praça pública, ou roubou uma galinha, ou jurou em falso, ou cometeu algum sacrilégio, como Esperanza quando diz que a Virgem lhe apareceu e disse que lhe mandaria um filho. Em outra situação, o acusado de matar o irmão mais novo do regedor geral da igreja, é preso nas masmorras e submetido a tortura. A cena não é tão feia, alguns filmes mostram bem mais, mas foi capaz de ilustrar os maus tratos. Em outras cenas, aparecem pessoas andando pela praça acorrentadas e mal vestidas, a ideia era o escárnio público. Também existe uma cena que sempre volta em flashs mostrando pessoas queimadas na fogueira, eram judeus que foram acusados de heresia. A inquisição mexicana era descendente da inquisição espanhola e elas continuaram a operar nas Américas até à declaração da independência do México.
Mariana Garza como Esperanza
Também falando dos costumes, há sete enterros no decorrer da trama. Cada um é feito de uma maneira, a partir da situação de cada personagem. Em um deles podemos ver um cortejo muito parecido com os que existiam anos atrás em cidades pequenas. Em um outro o corpo não é velado pois a igreja não permitiu e o defunto se vai quase como um indigente. Em outros, são velados em casa, cada um conforme sua posição social. No último, uma ossada é trasladada de outra cidade. Num período em que as pessoas morriam de qualquer coisa e nas peleias, era certo que um levava uma facada ou um tiro, achei muito ilustrativo cada um dos enterros, pois um enterra a mãe, no outro se enterra o filho e as diferenças das classes sociais ficaram bem marcadas.

Outro ponto muito bem feito são os duelos. Don Cristóbal não gosta da maneira que o Conde fala com Catalina e isso foi motivo para um duelo. Eles explicam direitinho como o negócio era feito. Escolhem a arma, o lugar, os padrinhos. As pessoas que vão assistir já se vestem de luto. Tem um médico de prontidão no local. É quase uma dança. É coreografado. E tem o código de conduta, que como mostra na cena, nem todo mundo respeita. Ainda bem que esse negócio acabou!! Mas imaginem quantas pessoas morreram duelando!



E os casamentos, Lizzy?
Tem também, alguns, mas só de gente rica. O que dá pra ver de interessante é o cardápio, por exemplo. Há um convento na história e quem prepara a comida para a boda são as freiras. Em uma certa cena uma delas combina com a dona Juana o que servir, ela fala os nomes dos pratos e Juana pede mais dois. É interessante ver que há três tipos de carnes, guisados, tortas e até doces. Como nas outras festas, há estátuas vivas, malabaristas, dançarinos, etc, tudo muito bem feito!


E vale comentar uma coisa que nunca vemos nas novelas, pessoas indo ao banheiro.
Em uma das festas duas senhoras usam o penico enquanto conversam sobre a vida alheia, depois de saírem do quarto, uma criada com uma jarra e uma bacia está aposta para que elas lavem as mãos. Uma certa vez, o Conde fica doente e usa o penico no seu quarto enquanto conversa com dona Juana. Logo depois, o criado leva o penico para lavar. Isso eu achei bem legal, afinal todo mundo precisa fazer suas necessidades e nas novelas é como se nunca ninguém precisasse.
As atuações estelares completam o sucesso que a novela ainda tem,15 anos depois da sua estreia.

Lucero é María Hipólita Díaz, Fernando Colunga como Luis Manrique y Arellano,Daniela Romo foi brilhante no papel de Doña Juana Arellano . Eu particularmente não sou fã do Luis Roberto Guzmán, que deu vida a Diego Arellano y Mendoza “El Conde de Guevara”, mas ele trabalhou muito bem! Arturo Peniche  é o marido de Hipólita, Antonio de Guzmán. O maravilhoso Ernesto Laguardia faz um Cristóbal de Lara tão perfeito que é impossível não se apaixonar por ele. A falecida Magda Gusman fez o papel de Sara de Oviedo, você deve conhecer essa atriz no papel de Adelina, em A Usurpadora. 

Magda Gusman

Daniela Romo e Mónica Miguel

Lucero e Alexander Renaud
Abaixo segue o restante do elenco.

Irán Castillo - Catalina Escobar Díaz 
Valentino Lanus - Martín Alvarado
Alejandro Tommasi - Felipe Alvarado Solares
Manuel Ojeda - Don Francisco Escobar
Olivia Bucio - Asunción Díaz Montero de Escobar
Vanessa Guzmán - Perla
Mariana Karr - Isabel Manrique de Leiva
Mariana Garza - Esperanza de Corsa de Manrique
Beatriz Moreno - Adalgisa Sánchez ¨Ada¨
María Rojo - Victoria Mancera y Oviedo 
Magda Guzmán - Sara de Oviedo ¨La Poderosa¨
David Ostrosky - Agustín de Corsa
Marcelo Córdoba - Marcos López
Lucero Lander - Irmã Teresa de Lara 
Patricia Martínez - Carmela de Alvarado
Mónica Miguel – Modesta
Alexander Renaud - Rafael Luis Manrique y Arellano

José Luis Reséndez e Luis Roberto Guzmán


Além de atuar como Modesta, a criada de confiança de Dona Juana, a atriz Mónica Miguel é a diretora da novela.
Cenografia é de  Ricardo Navarrete e Antonio García, o maravilhoso figurino de  Cecilia García Molinero, Roxana Martínez, Pablo Montes, Martha Betancourt e Cielo Espinoza e ambientação de  Esperanza Carmona e Lizbeth Silva.

Você pode assistir a novela clicando nesse link.
Também dá pra chorar de rir com os erros de gravação nesse link aqui, e aqui.

Vanessa Guzmán como perla 









Essa entravista também é muito engraçada, Daniela Romo dá um show!!


 
Ernesto Laguardia e Fernando Colunga





 Não encontrei nenhuma imagem boa do Ernesto vestido de seminarista, mas pensa num ator e num personagem pelos quais você se apaixona irremediavelmente? É ele! 

Bom, espero que vocês tenham gostado de saber sobre essa novela e que tenham interesse em assistir. Logo eu volto com mais uma novela pra vocês!!

Lizzy


O Alexander tem 18 anos!!

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